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Depois de muito disse-me-disse, algumas “birras” de ambos os lados, Brasil e México acertaram um acordo sobre vendas de carros de lá para cá. Pode-se dizer que o México resolveu ser bonzinho com Brasil ao aceitar vender menos ao parceiro comercial.
Os números não mentem sobre a superioridade dos mexicanos no setor automotivo. A diferença na balança do comércio entre os dois países em 2011 foi de US$ 1,5 bilhão, negativo para o Brasil.
A negociação com o México foi sintomática. Ela revela que o problema da competitividade da nossa indústria não é culpa só do câmbio. Há outros fatores que nos colocam abaixo dos nossos pares. O México também teve sua moeda muito apreciada, tem uma estrutura econômica parecida com a nossa. Nós agora estamos nos defendendo até dos nossos pares”, avalia Luiz Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (SOBEET).
Para aliviar a vida dos exportadores brasileiros o governo também zerou o imposto cobrado das operações cambiais feitas com derivativos. A decisão atende ao pedido do setor feito desde julho do ano passado, quando o governo elevou para 1% o IOF para quem queria fazer operações no mercado futuro de dólares.
“Nós estamos precisando de muletas para manter competitividade da indústria. O discurso do câmbio já passou. A competitividade do Brasil é ruim por causa questões tributárias, a infra-estrutura que afeta a produtividade, a educação que não evoluiu e agora temos que apelar para importação de mão-de-obra estrangeira em alguns setores. Antes estávamos em desigualdade com os grandes, agora estamos perdendo de quem está próximo de nós”, diz o representante da SOBEET.
Agora era hora do Brasil investir em mais parceiras comerciais, não limitar as que já tem. Apesar da economia internacional estar em crise, com os países ricos vivendo com crescimento negativo, o ambiente para negócios está fértil, segundo o economista Luiz Afonso Lima.
“Apesar do quadro externo ainda ser ruim, um estudo recente Unctad (Conferência da Organização das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento) mostrou que há iniciativas de acordos de liberação de investimentos. Eles estão acontecendo e nós não estamos aproveitando isso. Ainda segundo a Unctad, o Brasil está sem fazer acordos de tributação ou de investimentos há mais de 10 anos. Nesse ranking, nós perdemos de quase todos os nossos pares emergentes”, comenta Afonso Lima.
A confiança do governo parece estar alicerceada no mercado interno do Brasil. O esforço contém doses de estimulo ao consumo, ao crédito e muita ajuda para a indústria nacional, com barreiras de proteção aos importados mais baratos.
Ao fechar as portas para os carros importados, por exemplo, mais uma vez o governo aumenta a murada em volta da indústria nacional ao invés de incentivá-la a conquistar novos territórios.
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