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De primeiro, entre os anos de 1970 à 1994, o câmbio era um grande instrumento de benefícios dos exportadores, assim como na ditatorial economia chinesa, pois, vigorava-se a política econômica do câmbio fixo, quando o Governo estabelecia uma taxa de desvalorização de acordo com os interesses da época, decorrente de uma imposição do processo inflacionário vigente daquela mesma época e das pressões oriundas das crises econômicas do mercado internacional em geral.

Isso tudo tinha mais a ver com a própria dinâmica do mercado imperfeito e dos ciclos econômicos inerentes a esse mesmo mercado desses tempos, quer dizer, a economia nacional era pouco integrada e diversificada no sentido da interdependência global e ao mesmo tempo pouco autônoma.

O enrosco de sarã era profundo, visto que, tanto a inflação como o câmbio eram fatores causadores de consequências críticas e graves sobre a economia brasileira.

Mais claramente: a política econômica daquele tempo buscava-se defender da instabilidade internacional e da inflação importada, também, o que a tornava dependente de reservas cambiais pouco suficientes, diante de uma política cambial frágil politicamente e suficientemente desprovida de fundamentos teóricos sólidos e consistentes.

Em reforço a idéia, tal política , de certo modo, precavia-se das instabilidades e especulações econômicas no âmbito internacional, muito embora, o comportamento dos preços internos fossem dependentes dos preços internacionais em termos de custos, basicamente, e, consequentemente, de sua própria formação, num mercado estruturado incipientemente, repleto de interesses administrados.

Todavia, nos dias atuais, as relações comerciais e financeiras entre países emissores de diferentes moedas exigem operações de conversão entre moedas, além do que, a troca entre bens e serviços e o movimento de capitais entre as nações criam ofertas e demandas por cada uma das moedas fortemente conversíveis, deixando os governos numa saia-justa e exageradamente curta, que não dá margem para manobras populistas e oportunistas.

Não é demais mencionar que num regime de câmbio flutuante típico, a margem de manobra dos governos torna-se mais estreita e mais dependente do grau de mobilidade do capital forâneo, que afetam, sobremaneira, o equilíbrio ou desequilíbrio do balanço de pagamentos, sendo este, dependente e carente da dinâmica econômica. Todavia, muitas vezes, esses mesmos governos estimulam certa políticas econômicas, que terminam por asfixiar e aliciar a autonomia dos mercados deficientemente preparados.

Em razão disso, as políticas monetária e fiscal necessitam de uma sinfonia fina e inseparável, assim como nas notas e arranjos do cururo, do siriri e do rasqueado, aparentemente “desarmônicas”, entretanto, de uma sintonia modesta, mas precisa, no que tange ao seu conteúdo cotidiano autônomo e autêntico.

Conclusivamente, é oportuno discorrer a respeito da seguinte questão indagativa: junto a problemática da taxa de câmbio, situa-se, também, o problema da competitividade, bem assim, qual o caminho a se buscar para o dilema da competitividade?

Isto posto, sugere-se, que não será demais acrescer ao debate vigente e retórico se é a competitividade que determina a taxa de câmbio ou o seu inverso, pois, é importante observar se os preços no mercado internacional sofreram quedas ou altas, demasiadamente, desproporcionais às variações da taxa de câmbio em termos de sua apreciação ou depreciação.

Assim, fica evidente que na ausência deste debate, com um enfoque mais técnico e necessariamente prioritário, fica distorcida a essência de uma discussão efetiva sobre câmbio e desindustrialização da economia brasileira.

Mídia News | Ernani Lúcio Pinto de Souza é economista, conselheiro do Corecon-Mt e responsável pelo escritório de economia Paradigma E&P.

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