Freio na China derruba bolsas no mundo

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Dados que indicam desaceleração da economia chinesa fazem cotação de matérias-primas cair

O receio em relação à desaceleração do crescimento econômico da China pesou sobre os mercados globais ontem, com cotações de ações e matérias-primas em queda e dólar em alta em todo o mundo. A Bolsa de Londres recuou 1,17%, com queda nos papéis das mineradoras BHP Billiton (4,05%), Rio Tinto (4,15%) e Anglo American, (4,11%). Paris e Frankurt caíram 1,32% e 1,39%, respectivamente.

Em Wall Street, as quedas foram um pouco menores. O índice Dow Jones recuou 0,52%, enquanto S&P 500 perdeu 0,30% e Nasdaq caiu 0,14%. As quedas foram puxadas por empresas como Caterpillar (2,61%) e Alcoa (1,51%). E o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), caiu 0,64%, aos 67.295 pontos. O dólar comercial registrou alta pelo segundo dia consecutivo, avançando 0,39%, a R$ 1,818.

Os receios com o crescimento chinês foram reforçados com o anúncio de um novo reajuste nos preços de combustíveis – o segundo em dois meses- e com o alerta da BHP Billiton de que a produção de aço na China está desacelerando. Além disso, a associação de produtores de veículos da China previu crescimento menor nas vendas.

Com a China crescendo menos, a demanda por commodities, como o minério de ferro, tende a ser menor. Isso afetou negativamente as ações de empresas produtoras de matérias-primas, que puxaram o Ibovespa para baixo. Vale PNA (preferencial, sem voto) caiu 0,83%, a R$ 41,60. Petrobras PN recuou 0,49%, a R$ 24,27, enquanto as ações PN da siderúrgica Gerdau perderam 2,19%, a R$ 18,73.

- A conjunção de sinais vindos da China levou à queda nas cotações de commodities, atingindo sobretudo Vale e Petrobras – resume Pedro Galdi, estrategista da corretora SLW.

Tanto nos mercados americanos como na Bovespa, as quedas diminuíram no fim dos pregões. Na mínima do dia, o Ibovespa recuou 1,51%. O movimento pode ser visto como manutenção da tendência de alta. Para Galdi, o baixo volume de negócios (R$ 5,6 bilhões) em dia de queda também pode ser considerado positivo.

Bernanke: EUA ainda têm “desafios importantes”

A perspectiva de desaceleração na China também levou o dólar a subir frente às principais moedas. As divisas de grandes produtores de matérias-primas foram as mais afetadas: a moeda americana subiu 1,21% frente ao dólar australiano e 0,99% frente ao rand da África do Sul.

No Brasil, o dólar comercial chegou a subir 1,44% de manhã, seguindo o movimento externo. À tarde, porém, o real se descolou dos demais mercados de câmbio, a ponto de o Banco Central (BC) fazer um leilão de compra no mercado à vista, mesmo com o dólar em alta.

Segundo analistas, a atuação do BC não surpreendeu porque, no mercado futuro, os contratos chegaram a ser negociados com o dólar em queda. Operadores do mercado não identificaram grande fluxo de entrada de recursos ontem. Para Alfredo Barbutti, economista da corretora BGC/Liquidez, o BC pode ter atuado para frear movimentos especulativos. Investidores podem ter aproveitado a alta recente do dólar para apostar numa queda a curto prazo.

Apesar do temor dos mercados com a desaceleração na China, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, está mais otimista. Em discurso a ser apresentado hoje à Comissão de Supervisão e Reforma Governamental do Congresso, cujo texto foi divulgado ontem, ele afirma que os problemas financeiros da Europa arrefeceram, mas ressaltou que o Fed está pronto para agir se a situação voltar a piorar.

Mais cedo, ao falar com a rede CNBC antes de uma palestra na Universidade George Washington, Bernanke disse que os EUA ainda enfrentam “desafios importantes” a curto prazo, e que o elevado desemprego é um problema. Mas a longo prazo, afirmou, as perspectivas são “muito boas”.

Vinicius Neder | O Globo

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