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Nos últimos anos países da Ásia têm se tornado grandes agentes comerciais com o Brasil. Segundos dados de representantes da empresa de logística DHL, fornecidos durante um seminário ocorrido na última sexta-feira, o comércio da Índia com o Brasil deve crescer 50% no próximo ano, com a China para o mesmo período deve aumentar em 25% e o comércio com a Coréia 33%. Dentro da América Latina o País tem se tornado o primeiro negociador com nações asiáticas.
Para o presidente da empresa de transportes no Brasil, Joakin Thrane, “o foco da Ásia é o Brasil, há uma nova onde de comércio começando. Enquanto a Europa e os Estados Unidos estão hibernando, a Ásia e o Brasil estão bem acordadas”.
Apesar do País ter registrado um crescimento econômico abaixo das expectativas no último ano, com um alta de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e as previsões deste ano não ultrapassarem 4%, Tharne é otimista e acredita que “dentro desse crescimento de 2,5% a 3%, ainda há muito espaço para crescer”.
Segundo pesquisa do Banco HSBC, divulgada em abril, o comércio mundial irá crescer 3,78% nos próximos 5 anos. O crescimento de comércio no Brasil entre 2012 e 2026 deverá aumentar na ordem de 162,79%. Atualmente o índice de crescimento do País é 4,76% acima do crescimento mundial, até 2016 será de 26,82%, segundo a projeção.
Para o presidente da DHL, “poucas empresas hoje estão importando e exportando no Brasil, se você compara Brasil e China, o número aqui é bastante pequeno. Há aproximadamente 6 milhões de empresas no País e o número que importa e exporta é algo em torno de 50 mil, é um número extremamente pequeno”. Ele afirma que o crescimento de nosso comércio exterior é pequeno se comparado com a nossa economia. O especialista acredita que “em algum momento você não terá como gerar riqueza somente dentro do País, você precisa negociar com alguém”.
China
A China, desde 2009, é o principal parceiro comercial do Brasil. Heloísa Bonciani, advogada do escritório Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra, afirmou durante sua apresentação no seminário que a China tem se internacionalizado. Para ela, os empresários brasileiros tem medo de comercializar com o país mas a burocracia chinesa, no que diz respeito a questões alfandegárias e comerciais, é muito menor que a do Brasil.
Uma das vantagens do país asiático, segundo a advogada, é a permissão de uso de um escritório de representação (representative office em inglês) , o que não ocorre no Brasil. “O empresário fica autorizado a se instalar para pesquisar mercados e conhecer as oportunidades. Na nossa opinião essa é a grande joia da legislação chinesa”, disse.
A advogada deu dois conselhos para os empresários que pretendem comercializar com a China, o primeiro deles é consultar o site do Ministério de Comércio da China (em inglês) para saber quais são os setores incentivados, permitidos ou proibidos. O segundo conselho para empresários que querem comercializar coma China é tentar conhecer as tradições culturais pois os padrões orientais, inclusive no âmbito dos negócios, são distintos dos padrões ocidentais.
Pequenas e médias
O ramo das pequenas e médias empresas é uma das apostas de crescimento do comércio exterior do Brasil para a DHL. “O que nós acreditamos que vai acontecer é que vai ter um crescimento de pequenas e médias, nós já estamos vendo isso. Nosso papel realmente é facilitar a vida para eles {empresários pequenos e médios], porque quando você tem uma grande empresa você tem tudo o que precisa para fazer, para eles é relativamente fácil”, disse o representante da DHL.
Segundo ele, o grande problema da entrada do comércio exterior dessas empresas é a falta de informação. “Quando você vai para uma pequena empresa, onde o dono é um faz-tudo, ele não sabe informações jurídicas, de documentação e de mercado. Quanto mais ajuda ele pode ter mais ele pode focar no que ele sabe fazer bem, que normalmente é ter criatividade e vender.”
Sobre a burocracia aduaneira do Brasil ele opina que os problemas não são as regras, mas seguir as regras sempre da mesma forma. Na China também é muito complexo, mas lá é sempre a mesma coisa, é sempre executado da mesma forma, aqui ainda existe espaço para interpretar e isso gera confusão. ” mesmo nós, da DHL, que lidamos com isso, não temos como saber”, completou.
Diário do Comércio
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