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As cidades da região oeste avançaram uma posição no ranking de exportações do Estado de São Paulo. É o que mostra um trabalho elaborado pelo Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon), em conjunto com o Departamento de Relações Exteriores (Derex) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a partir de dados elaborados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

No estudo, divulgado pelo Ciesp, a diretoria regional de Osasco  que ocupa outros seis municípios na região é a 17ª colocada entre as 39 regiões do estado. A região estava no 18º lugar, no ranking anterior, referente ao 1º semestre.

A pesquisa também aponta que as exportações de Osasco e região correspondem a 1,9% da pauta total do estado.

Poder de compra

De acordo com Sérgio Marchesi (na foto), diretor-regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp Castelo) a situação em que se encontra a indústria pode-se creditar muito ao crescimento do poder de compra dos brasileiros, os quais estão aproveitando o momento para adquirir bens importados. Marchesi ressalta que o efeito disso é que as indústrias nacionais ficam com seu estoque cheio, uma vez que não têm um nível de exportação que equilibre a perda do mercado interno.

Crescimento

Divulgado na última quinta-feira (25), o balanço do setor industrial em março, apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)diz que: “Apesar de os estoques continuarem acima do planejado pelo 12º mês consecutivo, a produção industrial cresceu em março sobre fevereiro, depois de seis meses de queda, atingindo 51,6 pontos e ficando acima dos 50 pontos pela primeira vez em sete meses”, revela o texto da entidade.

Construção civil

No quadro geral há muitos setores que vão muito bem. É o caso da indústria da construção civil.  Há uma explosão de novos imóveis e para onde se olha existe uma obra no Brasil.

Na cidade de Osasco, a situação não é diferente, garante Sérgio Marchesi, diretor-regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp Castelo). “Estimativas apontam que a atividade industrial de Osasco está em 70%, com exceção da indústria da construção civil, que vem crescendo a cada mês, por causa do surgimento de novos shopping centers, galpões e edifícios.”

Migração

Entretanto, Marchesi  alerta para o fato de que algumas indústrias que se concentravam em Osasco agora vem migrando para outros municípios como Santana do Parnaíba e Barueri.

No município, porém, há outros fatores além da conjuntura econômica que contribuem para a atual situação da indústria: a precariedade da infraestrutura da cidade, a valorização do metro quadrado dos terrenos e a alta carga tributária.

“Falta planejamento tributário como um todo o Brasil. A carga é muito alta. Sem falar que os impostos são recolhidos no ato da produção, quando o deveriam ser na comercialização dos bens”, analisa  Sérgio Marchesi.

“Hoje temos entre 35 e 40 mil pessoas trabalhando dentro da indústria de Osasco, mas em outros tempos esse número já foi muito maior”, destaca Marchesi, de acordo com quem a indústria do município é bem mista, mas a predominância é de pequenas empresas, principalmente do ramo metalúrgico.

Outro ponto importante a considerar é  que a redução dos empregos na indústria não se dá só em Osasco. Dados divulgados na última semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que o setor industrial fechou 53 mil postos de trabalho  em março último. A baixa também se confirmou no confronto com março de 2011, quando se registrou queda de 2% da ocupação industrial, ou 59 mil vagas a menos.

Outra questão preocupante refere-se à mão de obra. Na avaliação de Marchesi, a oferta de profissionais está fora do planejamento.  “Estão faltando profissionais de nível técnico — por exemplo, mecânico de manutenção, eletricista, um torneiro.”

Apesar de tudo, Marchesi se considera  otimista. “Mesmo assim acho que tem espaço para trazer mais indústrias para Osasco e trabalharmos por maior qualificação profissional.”

Para ele, porém, este é um trabalhado de médio a longo prazo. “É preciso desburocratizar os processos para que os empresários consigam implantar e produzir em menor tempo na região. Também é preciso investir em infraestrutura, proporcionando mais mobilidade, bem como mais qualidade e oferta dos serviços de Internet, telefonia e energia elétrica, e uma política de incentivos ficais que atraiam os investidores para a cidade”, conclui Sérgio Marchesi.

Ciesp Castelo

O Ciesp Castelo, por sinal, atua exatamente na qualificação de profissionais para indústria, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Atualmente, ambas as instituições somam mais de 18 mil alunos dentro de Osasco, informa o diretor.

O Ciesp reúne 10 mil empresas associadas, que tem à disposição serviços e assessoria nas áreas jurídica, econômica, comércio exterior, infraestrutura, tecnologia industrial, responsabilidade social, meio ambiente, crédito, e pesquisa, entre  outros.

Zulmira Felício / Wagner Freire | DCI

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