Por Carlos Araújo | @comexblog
Já falamos aqui, que a velha conversa do governo brasileiro de que o país estava “Blindado”, não se sustentaria por muito tempo. Historicamente, a China tem quase 50% das suas vendas externas pautadas nos mercados norte-americano, europeu e japonês, e que estes três já estão em recessão há algum tempo. Sendo assim, ela deixaria de comprar as commodities agrícolas e metálicas, principais produtos da pauta exportadora brasileira.
E a cada dia, torna-se uma realidade a crise econômica que o Brasil atravessa. O Jornal Folha de São Paulo do dia 07/Março, no caderno dinheiro, trouxe uma quantidade enorme de notícias demonstrando que a economia brasileira está em crise e que o ano de 2009 não será dos mais fáceis para nenhum setor.
Segundo o jornal, a produção da indústria tem o pior resultado desde Collor, recuando 17% em comparação com o mesmo mês de 2008. E o IBGE não prevê melhora na situação. Setores como Material elétrico e de comunicações, veículos automotores e metalurgia básica, caíram, respectivamente, 45,9%, 34,5% e 31,3%. Algo muito expressivo para setores tão importantes para a economia brasileira.
A produção de celulares na zona franca de Manaus teve uma queda de 61%, a Petrobras teve um recuo de 32% no seu lucro no quarto trimestre em relação aos três meses anteriores, mas no ano o seu resultado foi recorde. A possível explicação para esta perda e ganho ao mesmo tempo pode estar na crise internacional que teve maior intensidade a partir de setembro de 2008.
Também segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) o Brasil já deixou de ser o único país que ainda estava em um ciclo econômico positivo. Em Janeiro a economia do país teve uma forte desaceleração, se igualando a todas as economis mundiais. Com a crise, consumidor prevê cortar gastos diversos, como viagens, turismos e lazer, e daqui a pouco diversas categorias irão pedir ganho real de salário em relação a inflação.
A notícia boa deste momento, é que a União Européia reduzirá a produção de açúcar em 5,8 mi de toneladas ajudando países exportadores como o Brasil. Segundo especialistas, esta redução deve ter impacto somente na safra 2010/2011, e só aconteceu depois da derrota sofrida pela UE na OMC contra os seus bilionários subsídios neste setor.
O Ano de 2009 não será nada fácil. Passamos de uma “marolina” como disse o presidente Lula para um tornado de nível F2.
Vamos nos proteger!


