Por Carlos Araújo
Após as eleições do legislativo na Argentina, chegou a hora do Brasil jogar duro com o país vizinho. O principal motivo deste novo cenário é a substituição dos produtos brasileiros pelos chineses. Claramente, as exportações do nosso país perdeu força para os hermanos, e os produtos asiáticos inundaram aquele mercado.
Nos seis primeiros meses de 2009, estima-se que houve uma redução de 42,5% das vendas brasileiras para o principal parceiro do Mercosul, totalizando US$ 4,936 bilhões em vendas. Uma queda expressiva.
Há muito tempo em que a Argentina vinha dando sinais de que haveria protecionismo contra os produtos brasileiros. Entretanto, em nome das boas relações comerciais com os membros do cone-sul e com o deliberado interesse brasileiro em liderar politicamente a América Latina, muitos desses abusos foram tolerados pela diplomacia brasileira. Mas parece que este jogo está para mudar.
Produtos como automóveis, autopeças, laticínios e alimentos entrarão no sistema de licenciamento não-automático das importações originadas da Argentina. Um retrocesso burocrático, mas uma necessidade no atual cenário. Esta talvez seja a única mensagem que a presidente daquele país consegue entender.
Para os importadores brasileiros, voltará uma nova exigência, a de autorizar o embarque com um pedido ao SECEX. E este pedido pode levar até 60 dias para ser autorizado, conforme determina as regras da OMC. Na Argentina, este prazo não tem sido respeitado e as autorizações de embarque podem levar até 120 dias para serem deferidas.
Porém, apesar de o governo brasileiro estar respaldados pela OMC, 60 dias é muito tempo para um mercado tão dinâmico como o brasileiro. É um tempo muito grande para as necessidades de nosso mercado, e teremos de suprir esta demanda com os produtores nacionais, que nem sempre tem a mesma qualidade ou o mesmo preço.
No fim das contas, quem pagará a ‘fatura’ desse jogo político será o consumidor brasileiro. Ele terá de aceitar um prazo maior (e um custo maior) para ter o produto que precisa, ou então mudar de fornecedor, o que nem sempre é tão fácil.
(tlt)
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