Economia — 01 outubro 2010
O setor siderúrgico nacional foi beneficiado e agora quer aumentar o preço do aço no mercado interno

Por Carlos Araújo

No começo do ano, o setor siderúrgico nacional foi beneficiado por uma medida protecionista do governo brasileiro aumentando a alíquota do imposto de importação, que até então era de zero, para 12%.

As maiores beneficiadas desta festa foram Usiminas e CSN, e a justificativa era a necessidade de proteção à indústria nacional contra as importações de aço chinês.  Na prática, a pressão dos empresários do setor fez a diferença.

E depois de protegida o que fizeram as empresas?  Bem, o que manda o manual do protecionismo: aumentar o preço do produto interno já que não há concorrentes para brigar por preço.

E foi isto que aconteceu nas últimas semanas, quando o setor foi surpreendido com a notícia de que haveria um aumento médio da ordem de 10% nos preços.  Rapidamente, o governo desaconselhou tal medida e acenou com a possibilidade de reduzir ou até mesmo voltar a zerar as alíquotas de imposto de importação do aço, caso este aumento aconteça.

Mesmo com a desaceleração global da economia, o mercado interno brasileiro deu sinais de aquecimento na demanda por produtos siderúrgicos.  A indústria automobilística, a principal vedete do crescimento econômico, e a indústria de linha branca e setores correlatos seriam os maiores prejudicados.

A reação dos empresários do setor siderúrgicos foi imediata.  Disseram que uma eventual abertura à concorrência estrangeira poderia ser negativa para investimentos futuros.

Aumentar o preço pode, mas trazer concorrência não? Fala sério!

(tlt)


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