Por Carlos Araújo
Há algum tempo que a China virou o maior parceiro comercial do Brasil, conseguindo ultrapassar Argentina e Estados Unidos. De janeiro a novembro de 2009, últimos dados divulgados, os chineses compraram toneladas de commodities brasileiras, fazendo os exportadores brasileiros receberem algo próximo de US$ 6,3 bilhões em soja e US$ 5,7 bilhões em minérios de ferro.
Mas os chineses compram matérias-primas brasileiras em grandes quantidades e nos vendem produtos de maior valor agregado e com preços artificialmente controlado, gerando duplo impacto no nosso mercado interno.
Com este mercado bilateral, o Brasil ganhou um generoso superávit comercial de 4,4 bilhões de dólares. E como tudo tem um preço, o cobrado por eles foi a perda de mercado brasileiro na Argentina e nos EUA. Lá são oferecidos produtos chineses com preços inferiores aos nossos.
E a vontade de crescer chinesa é tão intensa, que a notícia que dominou esta segunda semana de janeiro de 2009 foi que ela conseguiu ganhar o título de maior exportador mundial, ultrapassando a Alemanha. O gigante asiático, que recentemente se tornou o maior mercado automotivo e siderúrgico do mundo, também conseguiu totalizar suas exportações em US$ 1,2 trilhão contra US$ 1,17 trilhão do gigante europeu no mesmo período.
É bem verdade que este status de maior exportador é simbólico, uma vez que a Europa passou (e passa) por grandes dificuldades econômicas e a crise ainda não acabou por lá. Entretanto, o mundo inteiro está de olho nesta pujança econômica dos chineses, que cada vez mais compram petróleo, minério de ferro, soja, carne, é um grande investidor em títulos do governo norte-americano e voz ativa no gerenciamento da nova ordem econômica global.
Especialistas indicam que os chineses não usam armas leais no comércio internacional. Nas economias de mercado, aquelas em os agentes econômicos agem de forma livre, sem a intervenção dos governos e que a propriedade privada é protegida pela lei, o câmbio é flutuante. Ou seja, o valor das moedas estrangeiras flutuam de acordo com as leis de mercado, seguindo a oferta e a demanda pela divisa.
E na China não é assim que funciona. Ela desvaloriza sua moeda, o Yuan, artificialmente, aumentando a competitividade de seus produtos nos mercados externo. Com a crise internacional, o real se valorizou em relação ao dólar, enquanto a moeda chinesa praticamente ficou estável.
E uma moeda desvalorizada no mercado internacional é um facilitador para as exportações, fazendo com que o produto se torne mais barato do que aquele produzido no país do importador.
Estudos indicam que daqui a 10 anos a China terá 25% de todo o mercado internacional. Hoje ela está em 10%, e em 1999 era de apenas 3%. Como disse a colunista Miriam Leitão, é como se fosse um campeão olímpico que fizesse uso de anabolizantes.
Será que é bom para o Brasil?
(tlt)
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