Exportação — 07 outubro 2008

Por Carlos Araújo

Depois de afirmar diversas vezes que o país estava “blindado” à crise americana, e que o Bush deveria resolver o problema gerado pelo seu país, o governo brasileiro dá sinais de que esta turbulência vai ser longa e que afetará as exportações brasileiras. Fala-se até em um “pacote” para a exportação.

O próprio Banco Central já declarou que o crédito para a exportação caiu pela metade após a quebra do banco Lehman Brothers, e o mercado exportador já enfrenta dificuldades para obter créditos nos bancos brasileiros e poder financiar seus embarques.

Mas não é só isto. A falta de crédito também está reduzindo a demanda internacional, pois os compradores não sabem o que vai acontecer em um futuro próximo.

Outro ponto é o possível desaquecimento da maior emergente da Ásia. A China exporta quase 50% de tudo que produz para a Europa, Japão e Estados Unidos. Com a possível derrocada destas economias, o gigante asiático verá suas vendas serem reduzidas. E isto terá um efeito negativo sobre a economia brasileira, pois o crescimento da demanda chinesa é o maior responsável pela grande procura mundial de commodities agrícolas e metálicas, entre eles minério de ferro, níquel, soja, petróleo e trigo.

Segundo estimativas da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), o efeito desta crise só afetará o Brasil a partir de dezembro de 2008. E a falta de linhas de crédito também atingirá o setor de máquinas e equipamentos, onde estes recursos são vitais para o negócio. E esta forte queda terá efeito na balança comercial do próximo ano.

Os próximos seis meses serão de muita turbulência para a economia mundial e para os negócios externos brasileiros. Tomara que os dias de fatura que vivemos nos últimos anos sejam suficientes para passar pela tempestade que está prestes a vir.


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  • Edimar E.Fernandes

    Concordo plenamente contigo quando afirma que os próximos seis meses serão de muita turbulência e insegurança. Nas Empresas de Comex teremos uma seleção natural e as que 'sobreviverem' sem afetar seus ativos permanentes merecerão um selo de Certificação: sobrevive ao "Pearl Harbor II".

    Analogias à parte, também creio que o momento è de muita reflexão e expectativa.

    O que aconteceu ontem na BOVESPA não pode passar despercebido e caso voce não tenha noção do que aconteceu saiba que interromper os negócios por tres vezes foi para 'preservar' os investidores. Como a professora Merly diz:

    - Pára-se para um Coffe Breck e acalmar os ânimos.

    Vamos continuar acompanhando.

    Sds., Edimar