Por Carlos Araújo | @comexblog
Depois de afirmar diversas vezes que o país estava “blindado” à crise americana, e que o Bush deveria resolver o problema gerado pelo seu país, o governo brasileiro dá sinais de que esta turbulência vai ser longa e que afetará as exportações brasileiras. Fala-se até em um “pacote” para a exportação.
O próprio Banco Central já declarou que o crédito para a exportação caiu pela metade após a quebra do banco Lehman Brothers, e o mercado exportador já enfrenta dificuldades para obter créditos nos bancos brasileiros e poder financiar seus embarques.
Mas não é só isto. A falta de crédito também está reduzindo a demanda internacional, pois os compradores não sabem o que vai acontecer em um futuro próximo.
Outro ponto é o possível desaquecimento da maior emergente da Ásia. A China exporta quase 50% de tudo que produz para a Europa, Japão e Estados Unidos. Com a possível derrocada destas economias, o gigante asiático verá suas vendas serem reduzidas. E isto terá um efeito negativo sobre a economia brasileira, pois o crescimento da demanda chinesa é o maior responsável pela grande procura mundial de commodities agrícolas e metálicas, entre eles minério de ferro, níquel, soja, petróleo e trigo.
Segundo estimativas da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), o efeito desta crise só afetará o Brasil a partir de dezembro de 2008. E a falta de linhas de crédito também atingirá o setor de máquinas e equipamentos, onde estes recursos são vitais para o negócio. E esta forte queda terá efeito na balança comercial do próximo ano.
Os próximos seis meses serão de muita turbulência para a economia mundial e para os negócios externos brasileiros. Tomara que os dias de fatura que vivemos nos últimos anos sejam suficientes para passar pela tempestade que está prestes a vir.


