Por Carlos Araújo | @comexblog
China e Estados Unidos aumentaram suas vendas externas quando comparados a abril de 2009. Com isto, o déficit comercial norte-americano caiu para US$ 26 bi em maio, o menor nível apurado desde 1999. Na China, as exportações cresceram 7,5% se comparado ao mesmo período analisado.
E o crescimento nas exportações destas duas nações pode ser precedido de um aumento no consumo de matéria-prima, como commodities agrícolas e metálicas, produtos em que o Brasil possui vantagem competitiva.
Porém, esta pode não ser uma ótima notícia. Apesar de o governo federal estar comemorando os sucessivos aumentos no saldo da balança comercial brasileira, a classe empresarial não está tão animada assim.
Para a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), neste ano de 2009 o Brasil exportará mais produtos básicos do que manufaturados para o exterior. Desde 1978 isto não acontece.
Isto significa dizer que a maior parte das nossas exportações não passará por um processo industrial, perdendo valor agregado e ficam a mercê das oscilações do mercado internacional de commodities. Se houver um aumento substancial nos preços, como no período de 2005/08, as contas externas ficaram no azul. Entretanto, se estes preços não subirem, o país terá sérios problemas para cobrir o déficit em conta corrente.
A AEB atribui este retrocesso ao descuidado do governo em aumentar a pauta exportadora. Em 2000, tínhamos 73% do total exportado em produtos manufaturados. Em 2008, este valor correspondia a menos de 60%. Esta redução aconteceu por causa do aumento nas vendas externas de commodities.
No começo da década, as exportações brasileiras foram marcadas por resultados comerciais excelentes, saltando de US$ 13 bilhões em 2002 para US$ 46,5 em 2006, e depois caindo para US$ 40 bilhões em 2007 e US$ 24 bilhões em 2008, ano da crise.
Porém, neste período houve uma concentração em mercados de baixa elasticidade e de uma especialização comercial em produtos de pouquíssimo valor agregado. Além disto, este crescimento no saldo comercial não se traduziu em melhores taxas de crescimento econômico e industrial.
E para piorar, o Brasil tem enfrentado a concorrência da China na América Latina, segundo maior mercado dos produtos brasileiros. Em 2009, já houve uma queda de quase 40%, e só para a Argentina, nos seis primeiros meses de 2009, estima-se que houve uma redução de 42,5%.
Ou seja, não há muito que comemorar.



