Exportação — 12 outubro 2009

Por Carlos Araújo

O leitor pode achar que estou ficando maluco, e que o título deste post é completamente contrário aos anúncios oficiais do Governo, que vivem motivando a classe empresarial a ir para o mercado externo.  Mas o assunto aqui é outro, o da rentabilidade das exportações brasileiras, e o grande vilão, novamente, foi a cotação do dólar.

Só no ano de 2009, o real já se valorizou 34,4% em relação ao dólar, e isto não é o maior problema.  No mesmo período, houve um acúmulo de valorização de 49.35% em relação ao peso argentino e 33,73% sobre o iene japonês. E com a atual situação da pauta exportadora brasileira, vai ficar cada vez mais difícil para as empresas que buscaram o mercado externo ter retorno financeiro em seus balanços.

Recentemente voltou-se a discussão da primarização da pauta exportadora brasileira.  Em 31 anos, em 2009 foi a primeira vez que o Brasil exportou mais commodities do que produtos manufaturados, com US$ 300 milhões, atingindo 42,8%.  E exportando mais commodities, o país sempre estará vulnerável às oscilações dos preços internacionais.

E para piorar a situação, a Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) divulgou no seu boletim de agosto de 2009, que a rentabilidade das exportações está no menor patamar de sua história.  Segundo o estudo, as empresas começaram a ver pequenos ganhos com o restabelecimento da demanda global, mas que foi anulado pela forte valorização do real no primeiro semestre. Qual a saída?

De nada adianta buscar medidas artificiais como alguns setores da classe empresarial defendem.  A compra de dólares pelo governo foi intensificada, chegando a US$ 230 bilhões de reservas internacionais, algo inédito em toda a história da nossa economia, e mesmo assim esta medida não conseguiu segurar a onda de valorização da moeda.

E retroceder economicamente criando controles cambiais e impondo limites mínimos de prazos para o capital externo deve ser peça fora do tabuleiro. Isto geraria ganhos temporários, mas poderia coibir a livre circulação do capital e de investimentos.

A saída para os exportadores é a diversificação da sua pauta exportadora, com uma contínua e extensa incorporação de novos itens exportáveis, focando a geração de alto valor agregado e crescente conteúdo tecnológico em nossos produtos.

Já temos muitos produtos e segmentos participantes desta nova realidade exportadora, como a aviação comercial de pequeno porte, etanol,  calçados, entre outros. O que precisamos é incluir outros à esta lista.

E o governo precisa ajudar.

(tlt)


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Sobre o autor

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  • http://caleidoscopiodigital.wordpress.com Lucas Fernandes

    Carlos Araujo, uma das saídas, com ceretza, é investir nessa diversificação da pauta exportadora, sim. Peguemos as próprias commodities. A soja brasileira é praticamente exportada em seu estado bruto. E quantos derivados da soja poderiam ser produzidos por nossa indústria, gerando empregos, adicionando valor ao produto exportado?

    Agora, penso que tão importante quanto valorizar a exportação seria incentivar o consumo interno (falo mesmo o site sendo de comércio exterior), ainda áquem do que se espera dele. E, este fenônemo deve-se também, muito, as vários crises vividas por nosso país, que criaram na população brasileira um clima de insegurança, como lembranças de superinflação e corrida aos mercados.

    Bem, é isso. Por fim, gostaria de te convidar a conhecer o Ocê no Samba, mídia especializada no gênero e o blog Caleidoscópio, que é o primeiro passo para a revista digital de mesmo nome.

    Os endereços são:
    http://www.ocenosamba.com.br
    caleidoscopiodigital.wordpress.com

    Abraços e até mais.

  • http://atemporalizando.blogspot.com/ Tiago Ferreira da Si

    Resta-nos saber se interessa investir em aprimoramento tecnológico mais do que se investe em propaganda. Nos últimos tempos o Brasil tem elevado a tecnologia de seus produtos, mas falta mais investimento na fomentação científica e pesquisas universitárias.

    Talvez isso esteja refletindo em nossas exportações.o

    Abraços,

    Tiago

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