Por Carlos Araújo | @comexblog
O leitor pode achar que estou ficando maluco, e que o título deste post é completamente contrário aos anúncios oficiais do Governo, que vivem motivando a classe empresarial a ir para o mercado externo. Mas o assunto aqui é outro, o da rentabilidade das exportações brasileiras, e o grande vilão, novamente, foi a cotação do dólar.
Só no ano de 2009, o real já se valorizou 34,4% em relação ao dólar, e isto não é o maior problema. No mesmo período, houve um acúmulo de valorização de 49.35% em relação ao peso argentino e 33,73% sobre o iene japonês. E com a atual situação da pauta exportadora brasileira, vai ficar cada vez mais difícil para as empresas que buscaram o mercado externo ter retorno financeiro em seus balanços.
Recentemente voltou-se a discussão da primarização da pauta exportadora brasileira. Em 31 anos, em 2009 foi a primeira vez que o Brasil exportou mais commodities do que produtos manufaturados, com US$ 300 milhões, atingindo 42,8%. E exportando mais commodities, o país sempre estará vulnerável às oscilações dos preços internacionais.
E para piorar a situação, a Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) divulgou no seu boletim de agosto de 2009, que a rentabilidade das exportações está no menor patamar de sua história. Segundo o estudo, as empresas começaram a ver pequenos ganhos com o restabelecimento da demanda global, mas que foi anulado pela forte valorização do real no primeiro semestre. Qual a saída?
De nada adianta buscar medidas artificiais como alguns setores da classe empresarial defendem. A compra de dólares pelo governo foi intensificada, chegando a US$ 230 bilhões de reservas internacionais, algo inédito em toda a história da nossa economia, e mesmo assim esta medida não conseguiu segurar a onda de valorização da moeda.
E retroceder economicamente criando controles cambiais e impondo limites mínimos de prazos para o capital externo deve ser peça fora do tabuleiro. Isto geraria ganhos temporários, mas poderia coibir a livre circulação do capital e de investimentos.
A saída para os exportadores é a diversificação da sua pauta exportadora, com uma contínua e extensa incorporação de novos itens exportáveis, focando a geração de alto valor agregado e crescente conteúdo tecnológico em nossos produtos.
Já temos muitos produtos e segmentos participantes desta nova realidade exportadora, como a aviação comercial de pequeno porte, etanol, calçados, entre outros. O que precisamos é incluir outros à esta lista.
E o governo precisa ajudar.




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