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O fortalecimento das relações comerciais entre o Brasil e os países africanos, em particular Angola, teve forte impulso e resultou em expressivo aumento do intercâmbio comercial nos últimos anos. Escolhida para receber o primeiro Centro de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na África, Angola é um dos principais parceiros comerciais do Brasil no continente africano e está entre os maiores destinos de exportações brasileiras.

Entre 2005 e 2009, a corrente de comércio Brasil-Angola evoluiu de US$ 520 milhões para US$ 1,5 bilhão, correspondendo a uma variação positiva de 182,6%.  As exportações brasileiras para o país alcançaram o ápice em 2008, com US$ 1,9 bilhão. Em 2009, com a crise econômica global, estes valores recuaram e ficaram em US$ 1,3 bilhão.

Nos dez primeiros meses de 2010, as exportações brasileiras para Angola somaram US$ 771,9 milhões. A corrente de comércio entre os dois países cresceu 0,8%, passando de US$ 1,23 bilhão para US$ 1,24 bilhão.

As relações entre Brasil e Angola se estabeleceram em 1975, quando o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência da antiga colônia portuguesa. A partir de 2003, Angola tornou-se um dos principais sustentáculos da política brasileira para a África, já que é o maior receptor de investimentos brasileiros no continente. Entre 2000 e 2008, Angola deixou de ser o 52º mercado de destino das exportações brasileiras para se tornar o 23º mais importante mercado para o Brasil.

O potencial de mercado para produtos e serviços brasileiros no continente africano é grande e tem influenciado empresas nacionais a investir na África. Muitas dessas têm se instalado em Angola, a partir das oportunidades geradas pelo processo de recuperação da capacidade produtiva do país após 27 anos de guerra civil, especialmente na área de infraestrutura.

A economia angolana possui uma das maiores taxas de crescimento econômico dos anos recentes, conduzida pelo setor petrolífero e pela reconstrução do país. Mesmo com a crise de 2009, Angola manteve crescimento de 14,3% do Produto Interno Bruto (PIB), com expansão de parcerias internacionais e de investimentos nos setores de construção civil, agricultura e comércio em geral (produtos manufaturados).

Os ganhos nessas relações não são apenas econômicos, mas também culturais. A prioridade é estreitar cada vez mais esses laços, com destaque para as agendas de negócios e social. Brasil e África já têm uma história conjunta e certamente teremos, cada vez mais, um futuro comum. Buscamos nossas similaridades e complementaridades. Os dois países vivenciam um novo momento, exercendo um importante e inédito papel estratégico no cenário econômico e geopolítico mundial.

O Centro de Negócios da Apex-Brasil em Luanda chega para reforçar a intenção de investir no mercado africano e para dar suporte às empresas brasileiras com foco no continente. Oferecendo apoio em áreas como inteligência de mercado, com estudos e planos de negócios para a entrada no mercado; promoção comercial, que inclui a organização de encontros e rodadas de negócios com potenciais compradores; e apoio à instalação de empresas brasileiras em Angola, o trabalho do CN da Apex-Brasil permitirá identificar oportunidades de negócios e investimentos e expandir ainda mais o comércio global entre Brasil e África.

Esse será o oitavo Centro de Negócios da Agência, que já mantém unidades na Ásia (Pequim – China), Oriente Médio (Dubai – Emirados Árabes Unidos), América do Norte (Miami – Estados Unidos), América Latina e Caribe (Havana – Cuba), Leste Europeu (Varsóvia – Polônia e Moscou – Rússia) e Europa Ocidental (Bruxelas – Bélgica).

* Alessandro Teixeira | Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – Apex-Brasil | Revista Comex BB

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