Associação defende importações e ataca movimento protecionista

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Com um anúncio de página inteira publicado nos principais jornais do país, a Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece) deu início nesta terça-feira a um movimento para se contrapor à ideia de que o aumento das importações vai promover a desindustrialização do país.

Intitulado “Movimento protecionista ameaça economia do país”, o texto diz que “entidades têm propagado mitos e inverdades”, que não existe uma “avalanche de importações” e que as importações são importantes para o crescimento do país. Sustenta ainda que o discurso de desindustrialização tem sido usado para esconder interesses e ineficiências da própria indústria nacional.

As críticas são dirigidas principalmente contra a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no momento em que a entidade e centrais sindicais lideram uma campanha para barrar o uso do ICMS como estímulo à importação em alguns portos do país.

- Acho que os governos federal e estaduais ainda não perceberam todos os detalhes que estão envolvidos nessa discussão e é preciso alertá-los – disse o presidente da Abece, Ivan Ramalho, ex-secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento nos governos FHC e Lula.

A expectativa é que o Senado vote no próximo dia 27 a Resolução 72, que uniformiza em 4% a alíquota do ICMS nas operações interestaduais com bens e mercadorias importadas. No mesmo dia, deverá ser lançada em Brasília a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Nacional, iniciativa da Fiesp.

O governo dá sinais que já escolheu um dos lados dessa batalha. Em audiência pública nesta terça-feira no Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu a aprovação da resolução, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-líder do governo na Casa. Em troca, o governo poderia compensar os Estados que perderão com a mudança.

Usando dados oficiais, a Abece diz que, sozinho, o estado de São Paulo concentrou 36% das importações em 2011, o equivalente a US$ 82 bilhões. Mais de 80% disso eram máquinas e insumos para a própria indústria paulista. “Se os Estados não puderem seguir com incentivos às suas atividades portuárias, essa distorção econômica ficará ainda maior”, diz o texto publicado pela entidade.

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Editor Comex
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