Crocs: tendências passageiras, lições para uma vida inteira.

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Por Priscilla Del Carpio Cordeiro @comexblog

Bonitos ou feios? Cara de crocodilo ou falta de design? Sem dúvida, chamativos! Sem dúvida nenhuma, confortáveis! Acreditem, eles são até duráveis. Essas eram as características básicas das sandálias Crocs que era o feio bonitinho cheio de tendência da moda e de muita rentabilidade para os seus criadores. No auge da tendência Crocs, o faturamento chegou a 700 milhões de dólares após três anos da sua criação em 2002. Na bolsa de valores, suas ações foram vendidas por 200 milhões de dólares, alcançando o mais alto valor, até então, fixado a um produto dentro do mercado de calçados.

Recentemente, foi publicada no Portal da Revista Exame a notícia sobre a situação da empresa, sob o título: “Crocs: Sandálias Crocs pode estar com os dias contados”.

O que aconteceu com aquela tendência apaixonante de moda que arrebatou tantos adeptos em diferentes tipos de público-alvo? Crianças tinham a paixão pelas cores e pela forma de um bicho, o crocodilo. Adultos gostavam muito do conforto que era um de seus fortes apelos de venda para este público. Para os adultos, as cores davam um tom jovial a quem usasse, principalmente em atividades de passeios e lazer. Até mesmo os profissionais que precisavam estar na postura em pé por muito tempo adotaram o uso dos Crocs em cores mais básicas (preto ou branco) de acordo com o meio profissional.

Parecia que os Crocs estavam trilhando o mesmo caminho das Havaianas:  matéria-prima barata(em torno de 30 dólares por par de sandálias), apelo artístico, cores vibrantes, forma simples de calçado e versátil para o vestuário (no caso das sandálias Crocs, ainda existia uma certa resistência).  Apenas parecia.

Nos últimos dois anos a empresa começou a perder força por causa da crise econômica que se abateu no mundo inteiro. O efeito contrário da globalização, onde todos sofreram com a diminuição das vendas e do apelo para o consumo de bens não essenciais trouxe a empresa Crocs uma onda que muitos acreditam que ela não irá resistir como diz na reportagem da Revista Exame.

É notável que as decisões tomadas pelos executivos da empresa que visaram à expansão da produção e manutenção do crescimento obtido em anos anteriores não combinaram com o momento de entrada da crise global, quando muitos consumidores resolveram guardar suas economias. Não seria arriscado dizer que a empresa Crocs poderia ter escolhido viver outro momento empresarial, o da cautela. Uma boa dose de cautela faz uma empresa olhar para o seu produto com um olhar mais examinador em cima dos seus atributos para aumentar o seu ciclo de vida.

Os Crocs foram feitos para durar por muito tempo. Tal qualidade voltou contra a própria empresa, pois aumenta o tempo de compra de um novo par por um mesmo consumidor ou este desejo simplesmente deixa de existir.

Ser uma tendência de moda não significa permanência de vendas constantes. Casos brasileiros de sucesso são a marca Melissa que sempre se renova de acordo com as tendências de moda (agregando versatilidade ao produto e mantendo sua renovação de vendas), a marca Havaianas com o mesmo atributo sem perder sua identidade e a marca Góoc, também tão parecida com o caso das sandálias Crocs, que diferente da marca estrangeira criou sem demora linhas de produtos que utilizam a matéria-prima barata, no caso os pneus reciclados.

Não atentar que o produto tem uma entrada de utilização dentro de outro nicho de mercado promissor também é um erro a ser considerado. As Crocs conseguiram uma aceitação dentro de determinados ramos profissionais, e isso poderia ter sido aproveitado dando mais vida ao produto.

Os detalhes sobre a situação da empresa Crocs deixam boas lições a serem aprendidas, que vez ou outra aparecem para lembrar algum ensinamento fundamental e básico esquecido nos livros de administração (ou marketing para os que o vêem em todo o lugar) que não basta o surgimento de uma boa idéia, e o tocar pra frente dela, é preciso uma boa estratégia administrativa que entenda o momento atual da empresa com o mercado e seja prevenido com informações sobre a economia globalizada que vivemos hoje.

Em tempos de globalização os ganhos são muitos, contudo as perdas têm o mesmo grau de grandeza.



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Sobre o autor

Tecnóloga em Comércio Exterior e especialista em Carta de Crédito.

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  • Romulo

    Pris, parabens pelos artigos, li todos e sao de excelente qualidade, já estou vendo em voce uma futura autora de Aduaneiras.

    Beijos

    Pai

  • http://www.mordaalingua.blogspot.com Adriana

    Excelente texto! É isso mesmo, faltou estratégia de mkt da marca e uma equipe de estilo que entendesse as mudanças/tendências da moda – sem alterar a essência do produto. Parabéns!