Por Carlos Araújo | @comexblog
Bomba da semana: Argentina estabelece entraves à importação de produtos têxteis e eletrodomésticos que afetará diretamente os negócios do Brasil. Os hermanos baixaram uma resolução criando entraves à venda para eles de um grupo de 60 produtos do Mercosul.
Um grupo de produtos, como talheres, ceifeiras, CDs, tratores, assentos e móveis foi diretamente afetados pela necessidade de uma licença de importação prévia ao embarque.
Isto significa que antes do importador argentino decidir comprar estes produtos, ao qual o Brasil também vende, ele precisa submeter licença prévia para um órgão estatal. Segundo as regras da OMC, estas licenças devem ser emitidas em até 60 dias. Porém, segundo o empresariado brasileiro, isto tem levado mais de quatro meses, o que na prática é uma forma do governo administrar os volumes que são importados.
Segundo o governo argentino, isto foi necessário porque foram detectadas mudanças significativas no fluxo de comércio desses produtos no Mercosul.
Alguma semelhança com o que aconteceu aqui no final de janeiro? Não, nenhuma!
A diferença, caros leitores, é que aqui a desculpa foi outra e o entrada da licença prévia foi para todos os países. Na tentativa de segurar a balança comercial brasileira que há oito anos era superavitária, os técnicos do governo conseguiram fazer uma baita trapalhada e em apenas 3 dias de funcionamento da norma, lotou os computadores do SECEX com 23 mil pedidos de licenciamento prévio!
Para resolver o problema protecionista argentino, o Brasil estuda adotar cotas de exportação para aquele país, na tentativa de regular o comércio bilateral. Estas cotas afetariam os fabricantes de linha branca (geladeira, fogão, microondas, etc), têxteis e calçados. Seria um paliativo, desde que a Argentina não abra seu mercado para a inundação chinesa de produtos.
Sem dúvida nenhuma que este não é o melhor dos mundos, mas o Brasil vê nas cotas a possibilidade de entendimento, sem que a Argentina tome medidas unilaterais e sem grandes prejuízos à indústria local, principalmente em um momento de grave crise.
A grande pergunta é: quando o governo Kirchner vai aprontar outra conosco.



