Por Carlos Araújo | @comexblog
Na semana que passou (do dia 29/Set até o dia 03/out), as notícias de comércio exterior que passaram pelo ES foram ligadas ao Expoportos 2008. E o assunto que mais se falou neste evento foi terminal de águas profundas. O governo do Estado tornou pública esta proposta de construção de um “Super Porto” no complexo portuário de Tubarão e Praia Mole.
Esta proposta é destinada à movimentação de contêineres em águas profundas, e que quando implantado vai fazer com que o Estado receba navios cargueiros de maior capacidade. Porém, é preciso analisar esta notícia com alguma desconfiança.
Primeiro, porque algo semelhante já está em discussão há uma década. O projeto do Porto de Barra do Riacho está parado há alguns anos a espera de vontade política.
Segundo, que a operação de um navio de grande capacidade, em um porto de águas profundas, requer também uma grande retro-área. Até agora, discutiu-se que este novo terminal terá um grande calado, algo que o Espírito Santo desconhece em termos de operação de contêiner. E para ter uma grande retro-área, é preciso que os canais de escoamento dos contêineres também sejam muito eficientes, algo que ainda não conseguimos ver.
Qual será a saída proposta para este gargalo? Como estes equipamentos chegarão e sairão deste novo terminal? As autoridades que apresentaram o projeto na Expoportos 2008 disseram que retro-área não é importante em um super porto. Como não? Como armazenar grandes quantidades de contêineres, para que a operação destes grandes navios seja a mais curta possível?
É bem verdade que no projeto apresentado há uma grande área destinada ao armazenamento de contêineres, muito superior ao que o Espírito Santo dispõe. O problema, a nosso ver, é que para estes equipamentos chegarem até a beirada do cais, será preciso passar dentro do Complexo de Tubarão e de Praia Mole, o que pode comprometer a operação da Vale do Rio Doce e das outras companhias que lá operam. E o que estas empresas terão a dizer, quando as suas operações forem prejudicadas?
Todos os capixabas sabem que o Porto de Vitória já está operando no limite e para atender à demanda crescente do comércio exterior, precisamos melhorar nossa infra-estrutura portuária. Porém, não entendemos como um projeto já tão discutido e debatido como o de Barra do Riacho vem sendo substituído por outro menos maduro e com mais variáveis de riscos.
Novamente, o comércio exterior capixaba caminha para dar um passo atrás na sua modernização portuária.



Pingback: Comexblog – O Superporto do Eike Batista: Um vizinho que vai incomodar os capixabas.
Pingback: Comexblog - O Super Porto, o novo Terminal para o Espírito Santo