A crise mundial e o comércio exterior

Por Carlos Araújo*

2009 será lembrado como o ano das previsões catastróficas em relação ao comércio mundial. Pessimistas e otimistas geravam suas previsões, todas elas com números assustadores.  E esta crise, que começou em 2008 e afetou vários setores da economia no ano seguinte, fez de vítima as exportações e importações brasileiras.

Tudo começou no mercado hipotecário norte-americano que desencadeou sua mais grave crise no setor imobiliário. As hipotecas na modalidade subprime – aquelas que apresentam maior risco de não serem pagas e cujos beneficiários eram pessoas com histórico de inadimplência – geraram pânico no mercado doméstico dos Estados Unidos e rapidamente se alastraram para o resto do mundo.

E como os EUA são os maiores consumidores do mundo, é fácil entender a devastação na economia mundial em tão pouco tempo. No caso brasileiro, o impacto no comércio externo foi forte já em janeiro de 2009, quando tivemos o primeiro déficit comercial dos últimos oito anos.

E o motivo para essa retração foi a excessiva pauta concentrada nas exportações brasileiras, aliado a situações menos favoráveis no comércio mundial.  Se no passado a trajetória dos preços das commodities era de alta, 2009 marcou uma inversão contundente neste cenário.  O primeiro e o segundo trimestre não foram de boas notícias para as empresas exportadoras brasileiras e a solução foi se voltar para o mercado doméstico.

A história demonstra que em situações de crise econômica, há uma forte tendência de os investimentos serem suspensos ou limitados.  Mas, não foi isto que aconteceu no Brasil. Em direção contrária, empresas brasileiras e governo federal viram no mercado interno a sua única possibilidade de crescimento.

Renúncia fiscal para setores importantes da economia brasileira e fartura de crédito pelos bancos administrados pelo governo, foram o remédio para amenizar os efeitos da crise internacional e evitar uma influência negativa no crescimento do PIB no ano de 2009.

No Brasil, a recessão chegou no último trimestre de 2008 e foi embora a partir de junho de 2009.  Fomos o último a entrar e o primeiro a sair. Enquanto as portas do mercado externo se fechavam para os nossos produtos, os estímulos ao consumo interno foram vitais para que essa crise não tivesse aqui a dimensão que teve em outros países

Em Novembro de 2009, a balança comercial ficou positiva em de US$ 615 milhões, com uma média diária de US$ 30,8 milhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 12,653 bilhões e as importaões chegaram a US$ 12,038 bilhões.

Considerando os últimos 12 meses, tivemos uma retração de 23,9% para as exportações e 26,3% para a importação. Para a Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior), o Brasil deve fechar este ano com US$ 152 bilhões em exportações, uma redução de 23% ao ano anterior.

Mesmo com todos estes números negativos, analistas e governo federal afirmam que a retomada da economia passará pelo mercado interno, mas também pelo mercado externo. Superada a fase aguda, Estados Unidos e China serão as potências capazes de fazer a roda voltar a girar no comércio global.

2010 será um ano de retomada para todos os estados com vocação externa, como o Espírito Santo.  Temos várias empresas com expertise nos negócios internacionais, que saberão aproveitar as oportunidades que estão por nascer.

Para isso, precisarão de profissionais que tenham visão global da economia, que entendam de logística, de transportes e que se interessem pela cultura dos povos envolvidos nas transações comerciais.  A tônica será a profissionalização em comércio exterior.

* Publicado no Jornal A Tribuna/ES, em 17/02/2010, p.23

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3 comentários


Bruno Nascimento Valério


Enviado em 21/02/10


Porto Inseguro:
Pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain deu a nota 6,5 para o complexo portuário capixaba, garantindo o penúltimo lugar, atrás apenas de Salvador (5,4), onde o Carnaval e o turismo imperam o ano todo e até compensa o porto em baixa. No topo do ranking está o porto de Suape, em Pernambuco, cujos investimentos contínuos em infraestrutura e gestão somaram mais de R$ 7 bilhões nos últimos três anos.
Para piorar, além dos dados negativos da pesquisa, o terminal capixaba, que durante anos foi a principal porta de saída de produtos vindos de Bahia, Goiás e Minas Gerais, deixará de atender mais um armador, a gigante Hamburg Süd. A afirmação é do diretor do Sindicato dos Operadores Portuários do Espírito Santo, Pedro Paulo Fatorelli, que disse estar perdendo carga para Santos e Rio de Janeiro.
A baixa profundidade do seu canal, aliada aos problemas de acesso rodoviário, são alguns dos principais entraves que o complexo portuário capixaba enfrenta. Fora os aterros construídos por empresas, como a Flexibrás, cuja área ampliada está coladinha com o Museu Vale, do outro lado do canal, afunilando ainda mais o acesso. O Espírito Santo precisa de uma reza forte para acabar com essa urucubaca não só no porto, mas também aeroporto, pré-sal, Carnaval…

Fonte: Jornal A Tribuna, matéria do dia 12/02/2010.


Thiago Pereira


Enviado em 08/03/10


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100307/not_imp520620,0.php

Brasil supera Canadá e se torna o terceiro maior exportador agrícola
País já havia deixado Austrália e China para trás, e agora só tem pela frente os Estados Unidos e a União Europeia

Raquel Landim
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O Brasil ultrapassou o Canadá e se tornou o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo. Na última década, o País já havia deixado para trás Austrália e China. Hoje, apenas Estados Unidos e União Europeia vendem mais alimentos no planeta que os agricultores e pecuaristas brasileiros.

Dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), divulgados este ano, apontam que o Brasil exportou US$ 61,4 bilhões em produtos agropecuários em 2008, comparado com US$ 54 bilhões do Canadá. Em 2007, os canadenses mantinham estreita vantagem, com vendas de US$ 48,7 bilhões, ante US$ 48,3 bilhões do Brasil.

O ritmo de crescimento da produção brasileira de alimentos já deixava claro que a virada estava prestes a ocorrer. Entre 2000 e 2008, as exportações agrícolas do Brasil cresceram 18,6%, em média, por ano, acima dos 6,3% do Canadá, 6% da Austrália, 8,4% dos Estados Unidos e 11,4% da União Europeia. Em 2000, o País ocupava o sexto lugar no ranking dos exportadores agrícolas.

Uma série de fatores garantiu o avanço da agricultura brasileira nos últimos anos: recursos naturais (solo, água e luz) abundantes, diversidade de produtos, um câmbio relativamente favorável até 2006 (depois a valorização do real prejudicou a rentabilidade), o aumento da demanda dos países asiáticos e o crescimento da produtividade das lavouras.

“Houve uma mudança nas vantagens comparativas em favor do Brasil, que teve um custo de produção baixo para vários produtos nesse período graças aos seus recursos naturais e ao câmbio”, disse o analista sênior da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Garry Smith.

Para o sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, “o Brasil é hoje a única grande agricultura tropical do planeta”. Ele ressalta que o aproveitamento da terra é melhor na zona tropical. Em algumas regiões do Brasil, é possível plantar milho depois de colher soja, o que significa duas safras no mesmo ano.

Apesar disso, 80% da produção de grãos ainda estão em áreas temperadas. Canadá, EUA e UE detêm a tecnologia, mas não conseguem ampliar sua agricultura, porque quase não têm áreas novas disponíveis e enfrentam muita dificuldade para convencer as pessoas a permanecer no campo.

Graças às pesquisas da Embrapa, o aumento da produtividade teve um papel fundamental no crescimento da produção agrícola brasileira. Entre 1990 e 2009, a área plantada de grãos no País subiu 1,7% ao ano, mas a produção cresceu 4,7%. “Tivemos uma forte expansão da produtividade e um aumento da área plantada entre 2000 e 2005″, disse o diretor do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), André Nassar.

Segundo o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, a expansão da safra de soja e o aumento da produção de carnes foram os principais responsáveis pelo avanço recente do Brasil na exportação agrícola. No complexo soja (grão, farelo e óleo), as exportações mais do que quadruplicaram, saindo de US$ 4,2 bilhões em 2000 para US$ 17,2 bilhões em 2009. As vendas de carne bovina subiram de US$ 813 milhões para US$ 4,2 bilhões no período, e as de carne de frango, de US$ 735 milhões para US$ 5,8 bilhões.

“Saímos de uma posição insignificante para nos tornarmos maior exportador do mundo de carne bovina e de frango”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango, Francisco Turra, que era ministro da Agricultura em 1998, quando o Brasil conseguiu a certificação da Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE) e pôde começar a exportar.

Nos produtos tradicionais, como café, suco de laranja e açúcar, o País manteve a liderança. A participação brasileira no mercado de café oscilou entre 29% e 33% nos últimos 10 anos, apesar do avanço do Vietnã. “O Brasil é líder na exportação mundial de café desde 1860″, diz o diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga.

No suco de laranja, o País é responsável por 80% das exportações mundiais ? a maior fatia de um produto agrícola brasileiro. Dificilmente ganhará mais espaço, mas a concorrência também não está crescendo. É um setor muito consolidado, com apenas quatro empresas. “O suco é um exemplo do que vai ocorrer com a agricultura em outras áreas.”

O Brasil já ocupa o primeiro lugar no ranking de exportação em vários produtos agrícolas ? açúcar, carne bovina, carne de frango, café, suco de laranja, tabaco e álcool. Também é vice-líder em soja e milho e está na quarta posição na carne suína.

O País, no entanto, ainda está distante de ser o maior exportador de alimentos do mundo. Os EUA e a UE exportaram mais que o dobro do Brasil. Em 2008, os americanos venderam quase US$ 140 bilhões em produtos agrícolas, e os europeus embarcaram US$ 128 bilhões.

“Para superar esses países, temos de fazer um gigantesca lição de casa”, disse o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. “O Brasil precisa de uma estratégia agrícola que englobe várias áreas do governo.”

Os especialistas não arriscam prever quando ou se o Brasil vai alcançar a liderança, mas dizem que o potencial ainda é significativo, principalmente para carnes, milho e álcool. O País ainda não vende carne a alguns países por restrições sanitárias. No etanol, a exportação deve aumentar muito quando o mercado se consolidar.


Levitra.


Enviado em 13/07/10


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