A valorização do real é boa ou ruim?
Por Carlos Araújo
O mercado é unânime em afirmar que é ruim e que nossas exportações serão prejudicadas por esta apreciação da moeda brasileira e pela inércia do Banco Central em intervir no mercado.
O jornalista Luis Nassif destaca em seu blog, que esta valorização é temÃvel por dois motivos. Primeiro, porque o exportador ficará desestimulado com uma valorização extrema, que só no ano de 2009 alcançou 12% em relação ao dólar. Segundo, que sem a ajuda das exportações, o mercado não se recuperará tão fácil quanto se diz.
A prova disto é que a indústria de automóvel já teve queda na produção doméstica e a culpa é da exportação. E a principal pergunta para esta sitauação é Por que o real obteve uma valorização tão expressiva em tão pouco tempo?
No ápice da crise mundial, o dólar chegou a ser negociado a mais de R$ 2,50. De 2009 pra cá já teve uma valorização forte, sendo cotado a R$ 2,33 no começo de janeiro e no inÃcio de maio já abaixo de R$ 2,10.
Entre as explicações, o aumento nas exportações e nos preços de commodities contribuiu para um maior saldo na balança comercial do paÃs e uma maior disponibilidade de moeda norte americana no mercado brasileiro.
A prova disto é que de acordo com o MDIC, a balança comercial brasileira apresentou um saldo acumulado de mais de US$ 7 bilhões no ano de 2009. Só na primeira semana de maio já foi registrado um superávit de US$ 547 milhões, o que se pode deduzir que a trajetória do dólar é para baixo.
Além do saldo da balança comercial, houve a retomada de investimentos no mercado brasileiro, principalmente na bolsa de valores. Assim, mais dólares estão disponÃveis no mercado e a valorização da moeda nacional é inevitável.
No final do ano passado, os investidores estrangeiros retiraram seus investimentos da Bolsa de Valores e tÃtulos do governo no Brasil e remeteram seus dólares para o exterior, o que fez a cotação disparar.
Agora, eles estão dispostos a investir em mercados emergentes como o brasileiro, refletindo não apenas na valorização do real mas também na expressiva valorização das ações na Bovespa.
Então, quem perde com esta valorização da moeda brasileira?
Segundo a Fiesp, os exportadores brasileiros. Para o diretor de comércio exterior, Roberto Gianetti da Fonseca, a valorização da moeda norte-americana trará efeitos negativos sobre as exportações, justamente em um momento em que a balança comercial vem se recuperando.
E isto faz sentido. Apesar de um real forte ajudar a controlar a inflação, neste momento não teria benefÃcio prático. Primeiro porque a inflação está sob controle e o mercado brasileiro não precisa de uma concorrência de produtos importados para que os similares nacionais não tenham seus valores reajustados.
Segundo, que neste momento de recuperação da bolsa e da balança comercial, a cada vez que o real se valoriza frente ao dólar, os produtos brasileiros ficam mais caros no exterior. E isso faz com que as empresas brasileiras se tornem menos competitivas no mercado externo. Esta é a principal reclamação dos exportadores.
Para a classe exportadora, o problema está nas mãos do governo. É preciso agir rápido para que o dano não seja maior, tal como aumento do déficit em conta corrente. Sabe por quê? Por que teremos aumento das importações, aumento dos gastos de turistas no exterior, aumento em dólar das remessa de lucros e uma diminuição nas exportações.
O Banco Central vai ter de resolver este problema com duas medidas: voltar a comprar dólar e aumentar o ritmo da diminuição da taxa básica de juros. Só assim a queda da moeda norte-americana poderá ser contida.
(tlt)
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