Exportação: Um péssimo negócio (parte 2)

Por Carlos Araújo

Não faz muito tempo que discutimos aqui o péssimo cenário brasileiro para os exportadores.  O real está cada vez mais valorizado, o dólar em ritmo de queda, e o mercado internacional, apesar de esboçar fraco crescimento, ainda não se recuperou do tombo.  A crise que começou nos EUA, e se espalhou pelo mundo, ainda vai demorar um pouco mais para acabar.

Para completar o cenário ‘fabuloso’, nossas exportações se tornaram ‘primarizadas’ e a rentabilidade foi a pior da história brasileira.  Quer mais?

Pois é, caro leitor, temos mais.  Nós não, o governo.  O MDIC e o Ministério da Fazenda encomendaram um estudo sobre a taxação da venda de minérios de ferro com o imposto de exportação (??).  Logo este setor que tanto contribuiu para o equilíbrio da balança comercial e do saldo em transações correntes, agora pode estar na mira da boca do Leão do Governo.

Para os técnicos do governo, criar um imposto de exportação seria menos danoso para o setor e para o consumidor do que elevar os direitos sobre a exploração da atividade mineral da qual a União tem direito.

Mas nas entrelinhas, não é isto que se lê.  Primeiro é que há um confronto direito entre setores do PT e do Governo contra o atual presidente da Vale, Roger Agnelli, empresário que só entregou bons resultados à frente da mineradora, mas que o atual goaverno quer derrubá-lo e colocar alguém mais alinhado com a política social oficial. Duas grandes revistas semanais trouxeram reportagem falando sobre este tema e ambas são unânimes em afirmar que o problema com a Vale é político.

Alguns números da mineradora são assustadores.  Desde a privatização, a empresa se valorizou 3.433%, acima de qualquer outro investimento no País. Nos 55 anos em que foi estatal, a empresa pagou US$ 3 bilhões em dividendos aos acionistas, sendo o maior deles a União. Nos 12 anos após a privatização, o valor subiu para US$ 11 bilhões, sendo que, novamenente, um dos grandes acionistas da Cia, indiretamente, é o Governo, como o BNDES e os fundos de pensão.

O segundo problema é que se houvesse elevação dos royalties, os beneficiados seriam os estados de Minas Gerais e Pará, maiores produtores de minério de ferro no País, sendo o primeiro com um forte candidato à eleição de 2010.

Assim, o governo federal finge ajudar, mas na verdade está confiscando uma parte da renda da empresa e não repassa nada para os aos Estados.

Como diria Boris Casoy, Isto é uma vergonha.

(tlt)

Matérias relacionadas:

  1. Exportar está se tornando um péssimo negócio no Brasil
  2. O minério de ferro deixou de ser um negócio da ‘China’

PéssimoFracoRazoávelBomExcelente (Avaliado. Média de 5,00)
Loading ... Loading ...

Escreva seu comentário abaixo:

Nome*
E-mail* (não será exibido)

1 comentário


Comércio Internacional: China e EUA não são as únicas alternativas para o Brasil @ Brascomex Group Blog


Enviado em 08/01/10


[...] Carlos Araújo já estava alertando para esse desequilíbrio desde outubro do ano passado. Mas é preciso pontuar aqui uma observação importante. A China em si não se constitui como o vilão às exportações manufaturadas brasileiras. Da mesma forma, os EUA não apresentam a ameaça de pareamento político-ideológico antes apresentado na década de 60. Estaria defendendo um ponto de vista absurdo caso seguisse nessa linha de raciocínio, visto que o atual presidente norte-americano é um negro, democrata e com inclinação às minorias (eufemismo para dizer que Obama tem mais sangue no braço esquerdo do que direito). [...]