A difícil tarefa de se exportar no Brasil

Recentemente, li um artigo no jornal O Estado de São Paulo que me chamou a atenção: Tudo Errado! O Brasil não sabe como exportar!

Realmente, estamos exportando pouco e mal. Nos seis primeiros meses deste ano, a exportações brasileiras cairam quase 30%, mesmo com a China se recuperando do tombo da crise internacional.

E com a desaceleração do comércio mundial, será que isto vai mudar nos próximos meses?  A resposta parecer ser um sonoro e alto ‘não’.

Primeiro, que os principais países compradores dos produtos do Brasil ainda estão em crise.  E segundo, que a economia norte-americana ainda não se recuperou, com uma queda acumulada de 40% nas exportações brasileiras para aquele país.

E a China?  Bem, a China importa commodities e exporta equipamentos, eletrônicos, máquinas e outros produtos que concorrem com os nossos, inclusive em grandes parceiros comerciais como a Argentina.

Certo, e por quais motivos não melhoramos?  Caro leitor, a resposta não é tão simples. Os obstáculos vão desde a falta de gestão e conhecimento do próprio negócio por parte da classe empresarial, onde o efeito do dólar, muitas vezes, é o principal caminho para a empresa se internacionalizar (ou não), até a falta de financiamento, legislação e cumprimentos burocráticos excessivos, custo Brasil e por aí vai.

Não só por isto, mas questões como a falta de promoção governamental aos produtos brasileiros, portos e aeroportos ineficientes, barreiras não-tarifárias de outros países e uma logística precária, também dificulta a inserção das nossas pequenas e médias empresas no cenário mundial.

Tá, mas é pecado exportar commodities? Claro que não.  Foi a soja, o minério e outras matérias-primas que sustentaram todos os anos deste governo sem um déficit sequer na balança comercial.  Mas há uma clara tendência de que este jogo está se invertendo, e que a competência destes produtos para segurar a onda dos superávits está caindo.

Previsões da AEB para o ano de 2009 dão conta de uma redução 26% no total exportado pelas empresas brasileiras, com um superávit de pouco mais de US$ 24,7 bilhões. O culpado? Segundo a entidade que representa os maiores exportadores brasileiro, a valorização do real e a instabilidade dos preços internacionais dos produtos da nossa pauta de exportação.

E sabe qual é a saída proposta pelo governo?  Os exportadores devem cortar custos.  Como?  É isto mesmo, os exportadores devem cortar custos, segundo nosso ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Bem, ninguém deve ter dito para ele que os exportadores já fazem isso há algum tempo, e apertaram ainda mais o cinto depois da crise financeira mundial.  E também não disseram ao ministro, que uma parcela enorme do nosso preço é formada pela tributação elevada de toda a cadeia de valores, pela ineficiência operacional dos portos e por uma logística extremamente deficiente.

Apenas a título de informação, um dos estados mais importante na produção de mamão papaya, o Espírito Santo, que ostenta o selo de exportador para os Estados Unidos, luta há algum tempo para ter um aeroporto Internacional.

O presidente Lula esteve no ES há alguns anos e prometeu, em um palanque, que antes do término do seu mandato ele voltaria àquele estado para inaugurar o Aeroporto Internacional do Espírito Santo. E como anda a obra?  Parada, caro leitor.

Os produtores e exportadores deste produto fazem como pode, embarcando suas frutas pelo Rio, São Paulo ou qualquer outro estado que ofereça uma logística adequada.

Me permitam a piada sem graça, mas é o exportador brasileiro se virando nos 30.

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