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Consórcios de exportação como estratégia de entrada no comércio internacional

Se no mercado doméstico as micro e pequenas empresas têm dificuldade de conquistar novos mercados, no comércio internacional os desafios são maiores, em virtude de apresentar algumas peculiaridades inerentes a esse tipo de transação comercial, como idioma, culturas diversas, variações de ordem monetária e legal, natureza do mercado e longas distâncias, dentre outras características.

Quem vai exportar pela primeira vez sente a dificuldade de entrar no comércio internacional, em que as exigências com relação à qualidade ainda são maiores que no mercado interno, além da necessidade de se adequar à culturas que, às vezes, são completamente diferentes da cultura local. Assim, é importante que se busque a devida informação para não errar, o que nunca deve acontecer para quem deseja inserir-se no mercado internacional.

Mas algumas empresas, principalmente as micro e pequenas, encontraram uma forma de tornar essa inserção no comércio internacional um sucesso. A idéia é: se juntos somos mais fortes no mercado interno, por que não trazer essa experiência do associativismo e da cultura da cooperação para as negociações internacionais?

É necessário, caro leitor, antes de mais nada, fazer uma diferença entre exportação direta e indireta. A primeira se caracteriza pela operação de exportação ser feita diretamente pelo próprio exportador que seja o produtor da mercadoria. Já a exportação indireta acontece quando o exportador usa os serviços de outra empresa para suas operações, e esta empresa tem a função somente de encontrar compradores. Geralmente, esse tipo de exportação é feita por intermédio de uma trading company ou de uma empresa comercial exportadora.

Mas uma outra forma de exportar indiretamente que tem trazido grandes resultados é por meio dos consórcios de exportação, que nada é mais é que um APL (Arranjo Produtivo Local), que consistem, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em “aglomerações de empresas com a mesma especialização produtiva e que se localizam em um mesmo espaço geográfico, mantendo serviços de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si, contando também com o apoio de instituições locais como Governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa”.

Portanto, um consórcio de exportação é um APL voltado para exportação. Eles podem ser formados por empresas que vendem produtos complementares ou mesmo concorrentes e de qualquer setor, mas a idéia é unir esforços para competir em pé de igualdade com os grandes no comércio internacional.

A individualidade das empresas é mantida no mercado interno, mas a produção e a comercialização para o mercado externo é conjunta e geralmente estes grupos estão organizados na forma de associações sem fins lucrativos ou em cooperativas. Esse modo de exportar traz vantagens, como, abrir melhor os mercados, dar maior visibilidade aos produtos, reduzir custos promocionais e operacionais, etc.No Ceará, por exemplo, esse agrupamento de exportadores é, na grande maioria, do setor de artesanato, e a tendência é só aumentar.

Todas as atividades são desenvolvidas de forma coletiva, como pesquisa de mercado, participações em feiras internacionais, produção, contatos com o importador, estratégias de marketing, negociações, ou seja, toda a sistemática de exportação é feita de forma conjunta.

Instituições como o SEBRAE e a APEX estimulam fortemente a cooperação entre as micro empresas que, sozinhas, não têm forças nem recursos para entrarem por si só no comércio internacional. Elas auxiliam na formação dos grupos e até ajudam a levá-los a participar de eventos nacionais e internacionais, como feiras comerciais, missões técnicas e comerciais e rodadas de negócios, ajudando-os a prospectar novos mercados, a fim de conhecer melhor a concorrência, manter contato com potenciais clientes e conhecer a realidade do mercado visado.

A união das empresas para exportar faz com que, juntas, enfrentem a concorrência internacional, superando o receio e a própria cultura do individualismo de não buscar parcerias.

Do mesmo modo que na formação de uma rede de negócios voltada para o mercado interno é exigido grande esforço, comprometimento, força e vontade da parte dos empresários, em um consórcio de exportação o trabalho é ainda mais árduo, já que o mercado internacional é bastante competitivo e altamente exigente.

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O resultado é compensador se os participantes souberem principalmente trabalhar em equipe e buscarem incessantemente o conhecimento.

Em uma rede de negócios voltada para o mercado interno, há o desafio da mudança da mentalidade dos empresários que pensam individualmente para pensar coletivamente, o que também não é diferente em um grupo que pensa em exportar de forma coletiva, além do desafio em colocar todos os participantes em sintonia com objetivos comuns do grupo, já que se deve ter muita flexibilidade para lidar com vários pontos de vista, valores, princípios diferentes que cada um no grupo carrega.

Os consórcios de exportação tem se mostrado um poderoso instrumento para aumentar a capacidade produtiva das micro e pequenas empresas, e, consequentemente, a competitividade delas no mercado internacional, além de fazer com que haja o compartilhamento do conhecimento entre os participantes do grupo, o que é decisivo para o sucesso comprovado de grupos em uma operação de exportação coletiva.

Assim, a micro e pequena empresa não pode deixar de considerar essa forma de entrada no mercado externo, que tem tido bons resultados, se, claro, os empresários tiverem compromisso, espírito de equipe e muita vontade de vencer desafios, inclusive o maior deles, que é a própria cultura individualista, que, na maioria das vezes, encontra-se neles mesmos.

2 Comentários


  1. Ola, excelente matéria, acho que ainda pouco conhecida de varias empresas. Recomendo e peço que divulgue mais esse assunto nas midias socias. Fico a disposição para oferecer assessoria. Obirgado

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