O Porto de Santos diante de um dilema

Porto de Santos

A atracação no Porto de Santos no começo de fevereiro de 2015, pela primeira vez, de um megacargueiro capaz de transportar mais de 10 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) mostra que o futuro nos mares será de navios cada vez maiores. A explicação é simples: a capacidade elevada de transporte desses navios gigantescos aumenta os níveis de produtividade, reduzindo sensivelmente os custos, o que significa o crescimento da corrente de comércio entre os países.

Só que, para receber esses meganavios, os portos precisam estar preparados. Em Santos, o Tigris, da armadora francesa CMA CGM, construído no estaleiro New Times Shipbuildings, na China, só pôde entrar no canal de navegação em período de maré alta. É que o cargueiro, com 300 metros de comprimento e 48,2 metros de largura, capaz de transportar 10.622 TEUs e 1458 contêineres, exige um calado de 13,5metros. E, na maior parte do canal de navegação do cais santista, a distância entre a embarcação e o fundo é de 13,2 metros.

Se as obras de dragagem do canal não tivessem se desenvolvido com tanta lentidão nos últimos anos – adiadas várias vezes por divergências nas licitações –, esse calado poderia já ser maior. Seja como for, se a tendência é a construção de navios cada vez mais superdimensionados – para 2017 está prevista a construção de um megacargueiro com capacidade para 20 mil TEUs –, a Secretaria de Portos (SEP) e a  Companhia Docas do Estado de São  Paulo (Codesp) precisam chegar logo a uma conclusão: valerá a pena investir em obras de desassoreamento para deixar o canal de navegação com 17 ou 18 metros de profundidade ou será melhor aplicar os recursos na construção de uma plataforma off shore (afastada da costa)?

TUDO sobre Importação

TUDO sobre IMPORTAÇÃO, sem mi-mi-mi, sem blá-blá-blá-blá, direto ao ponto. Quer se manter atualizado? Então Se inscreva nesta lista, é GRÁTIS.>

Como o papel da administradora do Porto é prover a necessária infraestrutura portuária, o que se espera é que a Codesp siga com segurança e sem atrasos um cronograma de obras antenado com a tendência mundial, para que o Porto não venha a ser no futuro descartado pelas grandes armadoras, em razão de impossibilidade de atracação para esses meganavios.

Obviamente, por largos anos, ainda haverá espaço para as embarcações menores, o que justifica as obras previstas ou em andamento, como a recuperação do cais da Ilha Barnabé, a conclusão das obras de reforço do píer da Alemoa e do projeto de pontos de atracação do píer do Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa. Sem contar a necessidade de maior presteza nas obras de remodelação das vias de acesso ao cais nas duas margens, que hoje, insuficientes para atender à demanda, vivem congestionadas, causando atrasos nas operações portuárias e prejuízos incalculáveis a todas as empresas que operam no Porto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *